Sem o indivíduo não temos uma sociedade
Por Victor Baptista Piedade
Somos o que projetamos, de forma consciente ou inconsciente. Seja perante a família, o trabalho ou a cada nicho social, projetamos a nossa caixinha de significantes e somos interpretados pelos seus respectivos significados. É a linguagem semiótica do match, da aceitação, da conexão. Construímos significantes para se ajustarem aos significados que a sociedade (em cada época) padroniza, a famosa luta do “Ego” junguiano pela aprovação social externa.
Como vivemos em uma sociedade que busca a padronização comportamental, o processo de ‘Individuação’ (Carl Gustav Jung) se torna uma daquelas habilidades básicas e necessárias. O distanciamento da essência, ou do ‘Self’, principalmente no Brasil, é uma constante. É como se no Brasil o indivíduo não importasse, mas apenas o “coletivo”. Temos aqui uma formação do ‘Ego’ muito fragilizada. Segundo Jung, o ‘ego’ do indivíduo se forma ao longo do desenvolvimento e basicamente em função do processo de socialização. Tendo a estrutura familiar como a primeira grande referência, se pararmos para analisar as estruturas familiares brasileiras no geral, conseguimos entender um dos porquês de termos um ‘Ego’ tão infantilizado por aqui, que infla o papel de vítima irresponsável pela sua própria jornada. Aqui o ‘Self’ passa batido e a sua ausência é a alegria dos terapeutas. E talvez explique o porquê de termos tantos psicólogos no Brasil. Em Terra Brasilis ninguém se conhece bem e todos respondem de forma inconsciente aos significantes / significados que em boa parte a Mídia roteiriza.
Só pode ser considerado um indivíduo quem se lançou à jornada da ‘Individuação’, tendo conseguido ancorar-se no próprio “Self” depois de entender e superar os complexos inconscientes lá de trás, ajustando seu ‘Ego’ e alinhando conscientemente a própria individualidade. Não à toa a palavra indivíduo significa o indivisível ou aquele que não se divide. No Brasil, temos o senso de indivíduo?
Já parou pra pensar como é interessante a forma que Mídia dita o comportamento coletivo? E o quanto isso elimina os pensamentos individuais? Será que é possível viver em uma sociedade com um comportamento descentralizado, onde obviamente desenha-se premissas claras de respeito, lei e ordem? Parece óbvio, mas não temos isso no Brasil.
Um mantra aqui no Brasil é: “temos que investir em educação.” Mas o que isso quer dizer?
Indivíduo consciente ou ovelha responsiva à ideologias criadas por outros?
Se pegarmos liberdade econômica, liberdade política, liberdade cultural, liberdade informacional… O quão livre o Brasil realmente é?
“O máximo de liberdade que o ser humano pode desejar é escolher a prisão na qual quer viver. A liberdade é uma abstração. Diga-me qual é a sua tribo e eu direi qual é sua clausura. Só há liberdade se sua vida for produzida por você mesmo.” - Baruch Spinoza, Holanda, 1632 - 1677
